CANTOR CHEGA PARA SHOW EM MACEIÓ NESTE FIM DE SEMANA E CONVERSOU COM O CADERNO B SOBRE A CARREIRA E A VIDA
FOTO: MARCELO RIBEIRO

GERALDO AZEVEDO
A apresentação, que será aberta pelo alagoano Edi Ribeiro, acontece no Teatro Gustavo Leite, a partir das 20h. O formato será voz e violão, mas Azevedo garante que não estará sozinho, não. “Na verdade, termina nem sendo só voz e violão, porque tenho um coro muito bom da plateia”, conta aos risos o músico, que promete trazer muitos dos seus clássicos no repertório.
E hits é o que não faltam ao longo de uma carreira que soma acertos. “Amo o que eu faço, adoro fazer o que faço. Faço com paixão, e minha grande realização é poder cantar. Me sinto gratificado que algumas das minhas canções viraram trilha sonora de muita gente e fico feliz de as pessoas cantarem comigo nos meus shows”, diz ele em bate-papo com o Caderno B. Confira a entrevista:
Gazeta de Alagoas: Como começou sua trajetória na música?
Geraldo Azevedo: Já fui criado num ambiente musical. Minha mãe gostava muito de música, meu pai tocava um pouco de violão. Nasci na roça, mas mesmo assim, de vez em quando, tinha uns saraus lá em casa... Quando eu tinha 12 anos, ganhei um violão do meu pai. A música sempre foi algo muito ligado a mim. Lembro que quando eu morava no Jatobá, onde eu nasci, de vez em quando acampavam caravanas de ciganos e eu adorava, porque eles tocavam muito violão. Então minha ligação com a música foi algo natural, até com o som da natureza, dos passarinhos mesmo. Depois fui para a cidade estudar e me interessei muito pelas músicas de rádio, essas coisas. Quando surgiu a bossa nova, fiquei encantado pelas harmonias dissonantes, por aquele tipo de música que não era muito comum, não era o que eu ouvia nas serestas. Aquilo me cativou e passei a querer tocar ainda mais o violão. Todo mundo que eu via tocando colava junto e aprendi a tocar autodidata, vendo os outros tocarem. Ia para o baile só para ver o músico tocar, não era nem para dançar. A música é a eterna curiosidade da minha vida e continua sendo; sou um eterno aprendiz. Nunca tive um curso oficial, mas vivi a vida toda estudando.
Pois é... Li que você é autodidata. Como foi esse aprendizado?
Quando entrei no ginásio, aprendi noções de música, o pentagrama, notas musicais, mas não passou muito disso, não. Minha prática foi vendo outras pessoas tocar. Onde tivesse alguém tocando, eu ia ver, e quando chegava em casa, ia tentar repetir. Graças a Deus, o ouvido da gente também sabia escolher os sons. Aprendi a tocar instrumentos de corda, violão, viola, cavaquinho. Na guitarra nunca me aprofundei, mas hoje em dia a gente toca violão elétrico. Mas o aprendizado foi ver, ouvir. Também ouvia muitos discos. O primeiro do João Gilberto acho que ouvi um milhão de vezes.
Aos 18 anos, você deixou Petrolina em direção a Recife. Foi difícil fazer essa escolha ou foi necessário?
Fui para Recife porque em Petrolina só tinha até o curso ginasial na época, e eu queria dar prosseguimento aos meus estudos, fazer faculdade. Chegando lá, a música me seduziu e eu ia ver os acontecimentos musicais. Eu tocava no colégio, e isso também foi se espalhando, as pessoas dizendo que eu tocava bossa nova, que naquele tempo era raro. Com um tempo fui sendo chamado por alguns grupos e me ligando em pessoas que viraram artistas, como o Naná Vasconcelos. Isso incentivou meu universo musical e cheguei até a ter um programa de televisão quinzenal em Recife. Ou seja, eu sempre gostei de música e a música sempre gostou de mim (risos). Onde eu ia, as pessoas me chamavam para tocar, e lembro que teve ano que fui até reprovado por causa disso. Terminou que não entrei na faculdade. Uma artista do Rio de Janeiro, Eliana Pittman, me viu tocando e me convidou para ir ao Rio de Janeiro tocar com ela. Terminei ficando lá.
Já no Rio, você conheceu Geraldo Vandré. O que tem a dizer sobre essa parceria?
Trabalhei um ano com a Eliana, e no ano seguinte aconteceu aquele festival em que a música Pra não dizer que não falei das flores ficou em segundo lugar. Não ganhou oficialmente, mas foi o grande sucesso do festival. Ele resolveu fazer um show e estava procurando músicos. Nesse tempo, eu estava com Naná Vasconcelos, e fizemos um grupo com Nelson Ângelo, do Clube da Esquina, e o flautista Franklin, que trabalhava com Baden Powell. Era o Quarteto Livre, e fomos acompanhar Geraldo Vandré em 1968. A turnê era um grande sucesso, num momento de ditadura. Mas acho que até por causa dessa música os militares enrijeceram muito mais e criaram o AI-5. Vandré foi um dos perseguidos. Estávamos em Goiás quando avisaram a ele que já estava sendo procurado, que tinham invadido a casa do pai dele. Ele foi da glória para a clandestinidade.
Quais as dificuldades enfrentadas enquanto músico naquele momento? Como foi viver a ditadura?
Essa fase do AI-5 foi muito difícil, tanto que acabei parando um pouco a música e fui desenhar, porque estava muito difícil. Em 1969, por causa das nossas reações artísticas, fui preso. Fui torturado e aquela coisa toda. Depois me soltaram, não conseguiram abrir processo contra mim porque não tinha fundamento. Depois já de eu ter gravado em novela e tudo, fui preso de novo, agora no governo de Geisel. Foi muito mais violento, as torturas eram maiores. Cheguei a ver pessoas sendo mortas do meu lado, sendo torturadas. Foram momentos difíceis, mas que me deram força. Já que eu não morria, pensava que podia ficar preso muito tempo. Fantasiava alguma esperança: se eu ficar preso, vou ficar fazendo música na cadeia; se eu for solto, vou fazer tudo para ficar famoso. Me lembro que Chico Buarque era sempre intimado, e todas as vezes que fui preso eu era sequestrado, encapuzado. Infelizmente, estamos voltando a um momento quase ditadura também.
SHOW GERALDO AZEVEDO VOZ E VIOLÃO
Quando: neste sábado, 3, a partir das 20h
Onde: Teatro Gustavo Leite, Jaraguá – Maceió
Ingressos: R$ 60
Informações: (82) 99696-1007
Você chegou a compor muitas músicas nesse período?
Fiquei 40 dias preso, sendo 21 em solitária. Depois me colocaram numa cela coletiva e me deram um violão. Dividia com seis outros prisioneiros e só tocava um pouco pela saudade, mas não compunha nada. Muitas coisas me inspiraram, mas eu também nunca gostei de que minha obra fosse pesada, com temas negativos. Nunca quis usar os elementos da ditadura como inspiração. Só tenho duas músicas relativas a isso.
Quando foi que você voltou do desenho para música de vez depois disso?
Estava trabalhando como desenhista até a chegada de Alceu Valença de novo no Rio, quando nos juntamos de novo e a música mais uma vez tomava conta. Alceu ficou muito perto de mim; ele tinha um talento grande e tinha uma inquietação muito grande. Ele me chamou de novo pra tocar, e a gente terminou fazendo uma parceria. Fizemos o primeiro disco e larguei o desenho pra lá. Foi quando comecei uma carreira própria, porque antes só cantava eventualmente. Só nesse tempo assumi minha vida como uma carreira artística. Fiz o disco com Alceu, botei música em novela. A primeira novela que coloquei música foi Gabriela Cravo e Canela, que foi Caravana. Depois vieram outras, até que a própria Som Livre me convidou para fazer meu primeiro disco solo, sem Alceu.
Conta mais sobre essa parceria com Alceu...
Quando morava em Recife e tocava nos bares, o Alceu estava sempre nas minhas plateias; era um cara curioso. Uma vez no Rio, meu parceiro Carlos Fernandes me disse que tinha um cara de Pernambuco para eu encontrar. Quando encontrei, já conhecia o Alceu dessa época dos bares, de ter visto ele. Naquele dia, ele me mostrou muitas músicas, eu achei ele um talento especial. Tinha também uma coisa boa nele. Eu vinha da bossa nova, com muito intimismo, e ele vinha do rock; era um contraste que eu estava necessitando, porque era muito tímido. Quando nos juntamos, eu dava para ele um conhecimento musical e ele me dava um de interpretação, que assimilei muito. Considero ele um parceiro fundamental na minha formação. Já fizemos muita coisa juntos, tocamos até na praça, passando o chapéu (risos). Hoje continuamos muito ligados, até pelo projeto O Grande Encontro. Tem até uma coisa engraçada, que é que as pessoas me confundem muito com ele. Já cheguei até a passar por Alceu.
Sério?
Uma vez cheguei num local para tomar uma água de coco e a pessoa ficou toda feliz, empolgada. Quando fui pagar, ele me disse: Alceu Valença, você aqui não paga nada, rapaz (risos). Aí saí como Alceu para não frustrar o cara, que estava todo feliz porque o ídolo estava na barraca dele. Também não paguei meu coco (risos). Ele também já se passou por mim, vendeu até um show meu, porque o cara achava que ele era eu (risos).
Você tem dois discos de ouro, um de platina, disputou o Grammy Latino. Que balanço faz dessa carreira?
Amo o que eu faço, adoro fazer o que faço. Faço com paixão, e minha grande realização é poder cantar. Me sinto gratificado que algumas das minhas canções viraram trilha sonora de muita gente e fico feliz de as pessoas cantarem comigo nos meus shows. Sinto orgulho de fazer o que faço. É uma coisa do bem, que dignifica a vida. Acho que a arte dignifica a vida.
E o que preparou para o público nesse show Voz e Violão? Como é estar de volta a Maceió?
Adoro cantar em Maceió. Já tinha feito esse projeto há alguns anos e agora voltei de novo. Toda vez que passava em Aracaju, Maceió, fiquei contente, porque são lugares que vamos pouco. Adoro cantar em Maceió, e ainda bem que não faz muito tempo que estive aí. Desta vez, vou sozinho, com voz e violão; é um show que vou fazer na hora. Na verdade, termina nem sendo só voz e violão, porque tenho um coro muito bom da plateia (risos). Me perguntaram se eu ia fazer alguma coisa de carnaval e achei uma boa ideia. Vou cantar alguma coisa por aí também.
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